O tratamento não pode parar

MEDO. Essa é a palavra que define o que se passa dentro da cabeça de todas as pessoas nos dias de hoje. Com um olho naquilo que aconteceu no exterior e outro em nossa realidade, todos tem receio de que a pandemia do Coronavírus possa nos atingir de forma tão intensa e perversa que todo o resto deixa de ter importância e passamos a recear somente esta doença.

Ninguém pode refutar a amplitude e gravidade da pandemia, mas não podemos deixar para trás ou ignorar as doenças que temos e que representam igual ou maior risco para nossa saúde. Não podemos assistir de braços cruzados o crescimento dos tumores, os sangramentos de malformações vasculares, o aparecimento de sinais inequívocos de prejuízo neurológico, que podem não desaparecer, mesmo após o melhor tratamento, devido à duração do sofrimento neurológico.

Os estabelecimentos de saúde, incluindo os consultórios, devem permanecer abertos, atendendo a parcela da população que precisa de tratamento imediato, quando a espera de semanas ou meses pode determinar a qualidade de vida que o paciente terá dali para a frente. As precauções já foram amplamente divulgadas e entre elas destacamos:

  1. A redução no número de atendimentos, com intervalos maiores entre as consultas;
  2. Permitir a entrada de somente duas pessoas por vez;
  3. A manutenção de janelas abertas;
  4. O uso de máscaras pelo médico, paciente e recepcionista;
  5. Lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool gel antes e depois de cada atendimento, por parte da recepcionista e do médico;
  6. Evitar o contato físico.

Os hospitais, por sua vez, criaram fluxos diferentes para pacientes portadores de COVID-19 e todos os demais. Desde a entrada no hospital, procedimentos de internação, equipe médica e de enfermagem, preparo pré-anestésico, salas reservadas no centro-cirúrgico, UTI separada, tudo segue uma rota diferente e sem contato algum com os pacientes portadores do COVID-19.

Todas as organizações governamentais ou não (AMB, CFM, ANS, Ministério da Saúde), são unânimes em afirmar que o tratamento dos pacientes portadores de doenças que requerem intervenção imediata não pode parar, sob risco de causar um dano irreparável, mesmo depois que a pandemia passar. Portanto, essa mensagem tem a dupla finalidade de informar e alertar toda a população que tiver um diagnóstico de doença neurocirúrgica, para procurar o seu médico e dizer sim para o alívio de seu sofrimento neurológico, sim para a vida, dentro das possibilidades que a medicina tem para lhe oferecer, pois o seu tratamento não pode parar.