Nota técnica da SBN sobre cirurgias com o paciente acordado

A “Awake Craniotomy” é uma técnica utilizada na ressecção de tumores cerebrais desde a década de 80, inicialmente disponibilizada somente em grandes centros devido a estrutura e treinamento de pessoal necessário para executar essa técnica. O aperfeiçoamento da técnica associado a maior disponibilidade dos recursos técnicos e aperfeiçoamento médico (neurocirurgião, anestesista, eletroneurofisiologista) fez com que ela se tornasse cada vez mais presente na neurocirurgia brasileira com relatos de sua realização em diversas cidades de diferentes estados do nosso país no sistema privado e também pelo SUS em algumas localidades.

No entanto, cabe lembrar que para sua execução é imperiosa uma criteriosa avaliação pré operatória levando-se em consideração a queixa e/ou déficit do paciente, condições neuro psicológicas do paciente para execução desse procedimento acordado e a localização do tumor no encéfalo. A técnica está especialmente indicada na remoção de lesões localizadas ou próximas de áreas eloquentes, monitorando a cada momento as consequências da cirurgia. Não se trata apenas de fazer a cirurgia acordado, mas sim de ter profissionais habilitados a realizar a monitorização eletroneurofisiológica e os testes necessários durante a cirurgia – por isso o paciente está desperto – para avaliar distúrbios de fala, movimentos, visuais, sensibilidade ou cognitivos (cálculos, raciocínio lógico…) dentre outras funções cerebrais.

A cirurgia acordada com monitorização eletroneurofisiológica está inserida dentro de um rol de técnicas já existentes (uso de neuronavegador, ultrassom transoperatório, aspiração ultrassônica, realização de ressonância transoperatória, uso de fluorescências para demarcar o tumor durante a cirurgia…)  e que no geral se somam para conferir maior segurança e sobretudo qualidade de vida ao paciente com tumor cerebral. Trata-se de mais uma arma dentro do arsenal de terapia cirúrgica neuro oncológica, sendo seu uso encorajado pelo Departamento de Oncologia da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia por neurocirurgiões habilitados e com estrutura para tal, uma vez que a literatura possui crescentes relatos de melhores resultados com o uso dessa técnica nos casos selecionados. No entanto, há de se ressaltar que não se trata de novidade. É mais uma técnica: possui indicações e limitações.

O objetivo final da neurocirurgia com vistas à ressecção de tumor cerebral deve seguir o conceito de “máxima ressecção segura”, ou seja, retirar o máximo de lesão tumoral possível tendo como principal resultado não ocasionar déficit neurológicos permanentes ao paciente.  É nesse contexto que está inserido a craniotomia acordada para ressecção tumoral tendo como beneficiário final o paciente. Sem fins midiáticos.


Departamento de Oncologia da SBN

13/12/2020

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