Espondilolistese – Dr. Jerônimo Buzetti Milano

O termo espondilolistese significa “escorregamento vertebral” (do grego spondylo= vértebra; olisthesis= escorregamento) e é usado principalmente para descrever escorregamentos envolvendo a coluna lombossacra, acomentendo principalmente os segmentos L4-L5 e L5-S1, de acordo com o tipo.

As espondilolisteses podem ser classificadas de acordo com sua etiologia. As do tipo I são chamadas displásicas, e apresentam malformação da parte superior do sacro (S1) e eventualmente do arco posterior de L5. Ocorrem principalmente em crianças e costumam apresentar grandes escorregamentos. O tipo II, ou ístmica, ocorre quando há lesão da pars interarticularis de L5, denominada “espondilolise”; é típica de adolescentes e adultos jovens. O tipo III inclui as espondilolisteses degenerativas, com estenose (estreitamento) do canal vertebral e compressão da cauda equina, ocorrendo em geral a partir da quinta década de vida. Outros tipos são mais raros, como as traumáticas e as patológicas.

Ainda, as espondilolisteses são graduadas de acordo com o percentual de escorregamento entre as vértebras, sendo grau I quando há escorregamento de 1 a 25%, grau II de 26 a 50%, grau III de 51 a 75%, grau IV de 76 a 100%, e grau V (espondiloptose) quando a vértebra de cima está anterior à de baixo (>100%).

Uma vez havendo escorregamento de uma vértebra sobre a outra pode haver compressão das raízes nervosas que saem pelos forames vertebrais nesse segmento, gerando dor lombar e irradiada para os membros inferiores. Quando essa compressão é muito significativa pode haver alteração sensitiva e até mesmo motora por perda da função da raíz nervosa acometida. Nas espondilolisteses degenerativas, a estenose do canal associada costuma causar quadro de “claudicação neurogênica”, caracterizado por dor e dificuldade de manter a marcha (“travar as pernas”) quando caminhando por maiores distâncias.

O escorregamento é facilmente visível em radiografias simples, sendo que o aumento do deslizamento é melhor verificado em radiografias dinâmicas (com flexão e extensão). Tomografia computadorizada é utilizada para verificar alterações ósseas (p.ex. espondilolise). O melhor exame para definição do grau de compressão das raízes é a ressonância magnética. Estudos eletrofisiológicos (p.ex. eletroneuromiografia) são usados com menor frequência, quando há dúvida no diagnóstico clínico.

O tratamento inicialmente é clínico, com medicações analgésicas e miorrelaxantes, além de fisioterapia com objetivo principal de fortalecimento muscular. Coletes podem ser usados para imobilização temporária e alívio de dores, porém de forma criteriosa pois podem gerar atrofias musculares a longo prazo. Ainda para alívio das dores, acupuntura e métodos de manipulação podem ser usados. Bloqueios anestésicos costumam aliviar temporariamente as dores irradiadas nas pernas. Na persistência dos sintomas ou na presença de déficits neurológicos há indicação de tratamento cirúrgico, o qual visa a descompressão das raízes nervosas e a estabilização  do segmento envolvido. Esta estabilização pode envolver simplesmente fusão óssea com enxerto (artrodese in situ), fixação posterior com parafusos pediculares, incluindo ou não enxerto intersomático (no espaço do disco) Redução do escorregamento pode ser necessária em alguns casos.

Dr. Jerônimo Buzetti Milano

CRM PR – 18471

Instituto de Neurologia de Curitiba