Arnaldo Dias dos Reis: vitalidade para a medicina, o futebol e o mar

Arnaldo Dias dos Reis era Neurocirurgião chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Angelina Caron e
presidente do Conselho Consultivo do Paraná Clube| Foto: Arquivo Pessoal

 

A paixão pela bola não era um mero entretenimento para o médico neurocirurgião e vice-presidente do Conselho Consultivo do Paraná Clube, Arnaldo Dias dos Reis, que morreu em abril deste ano, aos 64 anos. A relação com o futebol era de troca. Enquanto dedicava seu tempo e experiência na administração do time tirava grandes lições, fazendo do futebol uma de suas escolas de vida.

“Ele aprendia muito para o mundo empresarial, a ganhar e a perder, estratégias e até o espírito de time, a habilidade de ouvir e de trabalhar em equipe”, conta a esposa, Rossane Matos. Reis, como era chamado até pelos amigos mais próximos, brincava que fazia parte do lado azul do Paraná, já que, gaúcho de Porto Alegre, trocou o Grêmio pela gralha azul paranista. Formou-se na Universidade Vale do Sapucaí, em Minas Gerais, morou algum tempo em Santos (SP), mas foi em Curitiba – para onde a família já havia se mudado – que xou residência e encontrou seu maior amor futebolístico: o Esporte Clube Pinheiros, que depois da fusão com o Colorado Esporte Clube, em 1989, daria origem ao Paraná. Por muitos anos, colaborou com o departamento médico do time.

Neurocirurgião chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Angelina Caron, onde atuou praticamente desde a fundação do hospital, ajudou a consolidar a estrutura da neurocirurgia no local, há mais de 30 anos. Atuava também na residência do Hospital de Clínicas da UFPR e era coordenador do setor de neurocirurgia do Hospital das Nações. Não só no trabalho, que em sua maioria tinha o teor de formação de novos prossionais na especialidade dele, mas também na criação das lhas, era um valorizador do ensino e tinha família. Era querido por todo mundo que convivia com ele” , relata o amigo e colega neurocirurgião do Angelina Caron, Amylcar Dvilevicius. Tinha tantas atividades – de chefe de setor hospitalar a síndico do condomínio – e hobbies que os amigos brincavam que seu dia tinha 30 horas. A vitalidade impressionante tinha a ver com o jeito como levava a vida, em que nada era sacrifício e tudo era doação. “Qualquer lugar se tornava o espaço dele, contagiava as pessoas com tanta energia. Mesmo quando abria a janela e encontrava um dia nublado, para ele era sempre um lindo dia de sol”, lembra Rossane.

Cozinheiro de mão cheia, há cerca de 15 anos fazia a tradicional caranguejada de nal de ano do Dr. Reis no Hospital das Nações, para toda a equipe. Um de seus pratos preferidos, de fazer e de comer, era o bacalhau. De ascendência portuguesa, preparava a mudança com a esposa para o país após sua aposentadoria, plano frustrado pelo acidente de trânsito que o vitimou. O casal não perdia uma oportunidade de colocar o pé na água. Amavam velejar e escolheram como lar a vila portuguesa Ericeira por seu mar, a eterna e grande paixão de Reis.

 

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Fonte: Gazeta do Povo