Entender o cérebro é um dos grandes desafios do nosso tempo

Para o pesquisador alemão Nikolaus Weiskopf, o cérebro é capaz de se adaptar às mudanças aceleradas da vida moderna


Nikolaus Weiskopf é diretor do Instituto Max Planck para Ciências do Cérebro, em Leipzig. Dedicado ao estudo da constituição física dos circuitos cerebrais, o pesquisador acredita que a compreensão do cérebro é fundamental para que a humanidade possa lidar com desafios da modernidade, como o alto volume de dados a que estamos sujeitos diariamente. Ele recebeu EXAME- em sua moderna sala no instituto alemão.

O senhor acredita que este será o século da neurociência, assim como o século 20 foi o da cardiologia?

Eu concordo com essa visão. As doenças cerebrais, especialmente as neurodegenerativas, representam um dos grandes desafios do nosso tempo. É  provável que as pessoas não venham a morrer mais de ataques cardíacos no futuro. Só que sabemos que os casos de demência estão aumentando, pelo menos nos países industrializados. Toda pessoa conhece alguém que sofre de algum tipo de demência. O Alzheimer altera as dinâmicas familiares também. É por isso que precisamos atacar esse problema.

O senhor está dizendo que há impactos também na sociedade?

O mundo continua mudando rapidamente. Vivemos, nos últimos 20 anos, uma revolução com a internet e com os smartphones. Isso foi muito acelerado e continuará acelerado. Nosso corpo passou pela evolução e não vai mudar em cinco anos, é óbvio. O único órgão, em minha opinião, que tem a capacidade de se adaptar a esses desafios e mudanças de ambiente é o cérebro. Ele foi feito de uma maneira que nos torna flexíveis num curto prazo de tempo. Quanto mais entendermos como ele funciona, mais bem preparados estaremos para lidar com os novos desafios.

O senhor pode dar exemplos dos desafios?

Um dos grandes tópicos atuais é  sobre como dar conta da alta quantidade de informação. Estamos inundados de informação, em grande parte de qualidade baixa. A questão é sobre como o cérebro lida com tanta coisa e como podemos ajudá-lo a manejar isso do melhor modo. Outro exemplo é sobre como tomamos decisões. Tomamos decisões o tempo todo, provavelmente muito mais do que nossos pais e avós, que tinham apenas uma profissão a vida inteira. O cérebro é o órgão das decisões e precisamos entender como ele toma as decisões, mesmo quando não são as mais acertadas. Só teremos essa compreensão com a pesquisa básica do cérebro.

 

Fonte: EXAME Abril