II.A – Códigos de Consultório, Consultas/Visitas Hospitalares e UTI

  1. Analgesia p/ dia subsequente, acompanhamento de analgesia por cateter peridural (3.16.02.02-9): Visita hospitalar de pós-operatório para acompanhamento/orientação da terapia peridural de cateter implantado para avaliação de dor crônica (teste de morfina), espasticidade (teste de baclofeno), ou analgesia pós-operatório de cirurgias de coluna. Conforme a própria definição do código, será multiplicado ainda por dia de analgesia.
  1. Atendimento do intensivista diarista por dia (1.01.04.01-1): código utilizado para avaliação de neurointensivismo do paciente em UTI por dia. Este código estará associado a outros códigos de exames e terapias como parte de uma avaliação plena do paciente neurocrítico.
  1. Avaliação clínica e eletrônica de paciente com marca-passo (2.01.01.20-1): código utilizado para leitura feita pelo médico assistente através de telemetria com o gerador (marca-passo) implantado em pacientes com eletrodos de neuroestimulação espinhal ou cerebral. Por este dispositivo ser eletronicamente semelhante ao marca-passo cardíaco e pelo ato de avaliação por telemetria ser praticamente o mesmo, este código cabe perfeitamente na avaliação clínica e eletrônica de pacientes com neuroestimuladores.
  1. Campimetria manual – monocular (13.0.10.7-2): Segundo parecer do CFM no 31/10, a campimetria é uma avaliação do campo visual central e periférico importante na avaliação em algumas doenças do sistema nervoso como parte do exame neurológico de rotina. Segundo ainda este parecer, a interpretação dos resultados é de responsabilidade exclusiva do médico, não citando a obrigatoriedade de ser realizado por oftalmologista.
  1. Curativos em geral sem anestesia (2.01.04.10-3): código utilizado toda vez que o médico manipular a região da ferida operatória ou após procedimentos, em consultório ou ambiente hospitalar, onde há necessidade de cobrir com curativo a região.
  1. Doppler Transcraniano (4.09.01.60-2): exame realizado em paciente neurocrítico na UTI para avaliação de doenças cérebro-vasculares (hemorragia subaracnóidea, vasoespasmo, AVC, etc), TCE, hipertensão intracraniana, e para confirmação de morte encefálica. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. EEG especial: terapia intensiva, morte encefálica, EEG prolongada (4.01.03.20-0): exame realizado em paciente neurocrítico na UTI para avaliação de estado de mal não-convulsivo, crises convulsivas de difícil controle, alterações do estado de consciência, controle do despertar de sedação, pós-operatório neurocirúrgico ou cardiovascular e para confirmação de morte encefálica. Este exame é codificado para cada 2h de exame. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Exame de motilidade ocular (teste ortóptico) – binocular (4.13.01.20-0): Trata-se de um teste objetivando avaliar os nervos cranianos relacionados com a motricidade ocular como parte do exame neurológico de rotina. Assim como a campimetria, é um exame médico e não existe restrição quanto à especialidade para execução deste exame.
  1. Fratura e/ou luxação da coluna vertebral – redução incruenta (3.07.15.15-6): tratamento conservador de fratura/luxação da coluna envolvendo aparelho gessado ou órteses prescritas. Pode ser realizada como manobra inicial de resgate de paciente com lesões que necessitarão cirurgia para correção definitiva em outro tempo, ou como tratamento definitivo não cirúrgico.
  1. Hipotermia (3.09.16.01-1): método de tratamento de HIC utilizado quando outras medidas de primeira linha falharam no controle da HIC.
  1. Impedanciometria (4.01.03.43-9): Impedância é a resistência que um circuito faz à passagem de corrente elétrica. Como cada tecido (meio) tem sua impedância própria (substância cinzenta, substância branca do encéfalo, medula, sangue, líquor, osso, etc), sua medida tem também valor localizatório também demonstra a integridade elétrica intraoperatória de dispositivos de neuroestimulação implantados. Utiliza-se este recurso na avaliação de polos de eletrodos implantados para estimulação elétrica do sistema nervoso e também para procedimentos por radiofrequência.
  1. Implante de cateter venoso central por punção (3.09.13.01-2): código para Cateterismo retrógrado da veia jugular para avaliação de parâmetros gasométricos. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Infiltração de ponto-gatilho ou agulhamento seco – por músculo (2.01.03.30-1): utilizado para tratar dor miofascial podendo ser executado através de infiltrações com anestésicos locais ou por agulhamentos c/ agulhas de acupuntura no ponto-gatilho doloroso. Conforme a própria definição do código, será multiplicado ainda por grupos musculares, devendo ser descrito na solicitação quais os grupos musculares envolvidos.
  1. Investigação ultrassônica com registro gráfico – qualquer área (4.15.01.06-3): código utilizado em conjunto com o código “Globo Ocular/Bilateral” (4.09.01.01-7) para avaliação da pressão intracraniana por método não invasivo através da insonação do nervo óptico. Este exame poderá ser feito tanto em paciente internados (hipertensão intracraniana aguda) quanto ambulatorial (hipertensão intracraniana crônica ou descompensada). Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Monitorização da pressão intracraniana (2.02.02.06-7): código utilizado para avaliação da pressão intracraniana, que se inicia a partir do momento cirúrgico da instalação do cateter de PIC, até os acompanhamentos diários, por visita/dia. A avaliação e conduta deverão estar descritos no prontuário do paciente. Valor/dia de monitorização do paciente neurológico. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Monitorização hemodinâmica invasiva por 12h (2.02.02.03-2): código utilizado em conjunto com o código “Monitorização da pressão intracraniana” (2.02.02.06-7) para avaliação indireta do fluxo sanguíneo cerebral através do cálculo da pressão de perfusão cerebral (PPC). Código valorizado a cada 12 horas de exame. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Monitorização hemodinâmica invasiva por 12h (2.02.02.03-2): código utilizado em conjunto com o código “Monitorização da pressão intracraniana” (2.02.02.06-7) para a monitorização da autorregulação cerebral através do PRx através da correlação linear de Pearson entre a pressão arterial média e a pressão intracraniana. Código valorizado a cada 12 horas de exame. Em conjunto com os demais parâmetros de neurointensivismo, este exame faz parte da avaliação multimodal dos pacientes neurocríticos.
  1. Outras afecções da coluna – tratamento incruento (3.07.15.23-7): código utilizado para o tratamento conservador das patologias da coluna vertebral como dor, deformidades, etc. Envolve orientações específicas sobre medicações, fisioterapia, aplicação/indicação de órteses de coluna, etc.
  1. Punção Liquórica (3.07.15.25-3): código referente a qualquer punção realizado com agulha/cateter de reservatórios contendo líquor cefalorraquidiano, seja dos ventrículos cerebrais ou cisternas, seja na coluna vertebral, ou até mesmo em bombas de fármacos intratecais. Pode ter finalidades diagnóstica (exames laboratório, manometria) ou terapêutica (derivações, bomba de fármaco, alívio de cefaleia).

 

  1. Tração cervical trans-esquelética (3.07.15.29-6): realizado pelo neurocirurgião no momento inicial de atendimento ao TRM cervical como manobra de estabilização e redução da fratura até que se realize o tratamento cirúrgico definitivo da lesão. O procedimento é realizado utilizando-se um halo cravado no osso craniano para tração cervical com contra-pesos.
  1. Tratamento conservador de fratura de ossos (3.02.07.22-3): paciente com TCE e fratura de crânio sem conduta cirúrgica, porém demandando observação neurológia e reavaliações neurocirúrgicas diárias até sua alta ou até o caso tornar-se cirúrgico.
  1. Tratamento conservador de TCE, HIC e hemorragia – por dia (2.02.01.08-7): código para primeira avaliação e/ou acompanhamento de pacientes com traumatismo crânio-encefálico (TCE), hipertensão intracraniana (HIC) ou ainda hemorragia intracraniana. Envolve a avaliação neurológica completa, diagnóstico e conduta conservadora/orientações. Conforme a própria definição do código, será multiplicado ainda por cada dia avaliado descrito na evolução médica do paciente.
  1. Tratamento conservador do traumatismo raquimedular – por dia (3.07.15.34-2): medidas terapêuticas associadas à lesão medular e suas repercussões e complicações clínicas.

II.B – Códigos de Procedimentos Neurocirúrgicos Iniciais e/ou de Acessos

  1. Acesso endoscópico ao tratamento cirúrgico dos tumores da região selar (3.14.01.34-1): procedimento por via transesfenoidal utilizando o método endoscópico para visualização da região selar de forma isolada (cirurgia totalmente endoscópica) ou como complementação da microcirurgia (cirurgia híbrida). Utiliza-se este código quando o tempo do acesso endonasal e demais tempos cirúrgicos da cirurgia da região selar são executadas pelo neurocirurgião. Visualização com ou sem microscopia.

 

  1. Cateterismo cardíaco direito e/ou esquerdo c/ ou s/ cineangiografia (3.09.11.04-4): Introdução da ponta distal do cateter de derivação ventricular (DVA) para dentro da cavidade cardíaca para drenagem liquórica.

 

  1. Cervicotomia exploradora (3.02.12.01-4): código referente ao acesso à região cervical para cirurgias da coluna vertebral, implantes de eletrodos, derivação ventrículo-artrial e cirurgias vasculares, como a ressecção de placa de ateroma da carótida (endarterectomia). Valorizado para cada segmento tratado.

 

  1. Cirurgia Intracraniana por via endoscópica (3.14.01.03-1): código utilizado para todas cirurgias intracranianas incluindo transesfenoidal, terceiroventriculostomia endoscópica e demais cirurgias ventriculares. Pode ainda ser utilizado como ferramenta complementar de visualização em cirurgia com microscópio.

 

  1. Descompressão medular e/ou cauda equina (3.07.15.09-1): apesar de ser utilizado de forma rotineira nas cirurgias da coluna vertebral, este procedimento também pode ser agregado a todos procedimentos que envolvem patologias da transição crânio-cervical onde realiza-se a abertura dos arcos de C1 e/ou C2 (tumores do forame magno, tumores fossa posterior, Arnold-Chiari) como forma descompressão da região medular alta. É utilizado ainda nas cirurgias de liberação da medula presa com sua consequente descompressão.

  1. Dissecção de veia com colocação de cateter venoso (3.09.13.09-8): procedimento realizado durante a derivação ventrículo-atrial, onde há necessidade de dissecar uma veia cervical para cateterização da porção distal do cateter de derivação ventricular.

 

  1. Doppler colorido intra-operatório (4.09.02.06-4): exame realizado na cirurgia de by-pass intra/extracraniano para identificar artéria temporal superficial e avaliar sua patência. Também poderá ser realizado para avaliar circulação dentro de aneurisma cerebral clipado.

 

  1. Etmoidectomia intranasal por videoendoscopia (3.05.02.31-4): abertura do seio etmoidal na cirurgia transesfenoidal endoscópica que se faz quando necessário acesso expandido à base do crânio.

 

  1. Fratura do arco zigomático – redução cirúrgica com fixação (3.02.07.07-0): código utilizado para correção cirúrgica de fraturas do arco zigomático, assim como para reparo primário desta peça óssea após cirurgias de base de crânio envolvendo a osteotomia deste osso (acesso fronto-orbito-zigomático e correlatos).

 

  1. Implante de cateter peritoneal (3.10.08.06-2): introdução de cateter intraperitoneal para drenagem liquórica (DVP, DLP, derivações nas cirurgias de siringomielia, e dos demais espaços liquóricos do sistema nervoso central).

 

  1. Laminectomia ou laminotomia (07.15.19-9): apesar de ser utilizado de forma rotineira nas cirurgias da coluna vertebral, este procedimento também pode ser agregado a todos procedimentos que envolvem patologias da transição crânio-cervical, representando o ato cirúrgico propriamente dito de abertura dos arcos de C1 e/ou C2 como forma acesso da região medular alta.

  1. Laparotomia exploradora (3.10.09.17-4): abertura cirúrgica da cavidade abdominal para introdução de cateteres de derivação ventricular (DVP); lombar (DLP); sepultamento de dispositivos de neuromodulação (bombas de fármacos, geradores); sepultamento da calota craniana retirada por ocasião da craniectomia descompressiva.

 

  1. Mastoidectomia simples ou radical modificada (3.04.03.08-1): código utilizado nos acessos envolvendo osso temporal onde se faz necessário a drilagem das células da mastoide como parte do acesso (ex, acesso retrossigmóide, tumor do glomus jugular).

  1. Maxilectomia parcial (3.05.02.14-4): procedimento de abertura do seio maxilar como parte da abordagem do acesso à base do crânio e/ou região selar (acesso sublabial).

  1. Punção pleural (3.08.04.08-6): trata-se do procedimento subsequente à toracoscopia onde é realizado a introdução propriamente dita da ponta distal do cateter de derivação ventrículo-pleural ou siringomiélica para dentro da cavidade pleural para drenagem liquórica neste espaço.

 

  1. Radioscopia para acompanhamento de procedimento cirúrgico – por hora (4.08.11.02-6): código referente ao uso de fluoroscopia/radioscopia nos procedimentos como cirurgias de coluna, cirurgias de base de crânio (sela turca e adjacências), neurocirurgia funcional e neurocirurgias endovasculares. Como este código foi tabelado por hora de cirurgia, e não por tempo de radioscopia ativa na máquina. Uma estimativa racional de horas/cirurgia foi estandardizada na vigente tabela, e o fator “hora” foi multiplicado pelo valor CBHPM correspondente a este código, e seu valor final, foi então incluído no somatório da cirurgia.

 

  1. Redução de fratura do seio frontal – acesso coronal (3.02.07.04-5): código de acesso para incisão coronal (hemicoronal ou bicoronal) para tratamento de fraturas osso frontal/órbita; ou nas cirurgias de base crânio anterior, onde uma osteotomia do osso frontal é realizada como parte do procedimento de acesso; ou nas cirurgias de cranioestenoses, onde a osteotomia do osso frontal faz parte do reparo da deformidade craniofacial.

 

  1. Ressecção do osso temporal (04.04.12-6): Procedimento de acesso ao conteúdo intracraniano onde uma trepanação e/ou craniotomia envolve ressecção de parte do osso temporal para o acesso. É realizado normalmente nas craniotomias fronto-temporal, pterional, retrossigmoide, e demais cirurgias de base de crânio.

  1. Septoplastia por videoendoscopia (3.05.01.53-9): correção cirúrgica da luxação do septo nasal que se faz por ocasião do acesso cirúrgico endoscópico da região selar e adjacências, onde tanto o tempo de acesso endonasal quanto os demais tempos cirúrgicos são todos executadas pelo neurocirurgião.

 

  1. Sinusectomia frontal com retalho osteoplástico ou via coronal (3.05.02.21-7): a indicação é a mesma do código 3040227-6, porém neste caso específico há a mobilização em bloco da parte óssea junto c/ seu flap de gálea/cutâneo.

 

  1. Sinusectomia maxilar – via endonasal por videoendoscopia (3.05.02.32-2): abertura do seio maxilar na cirurgia transesfenoidal endoscópica que se faz quando necessário acesso expandido à base do crânio.

 

  1. Sinusotomia esfenoidal (05.02.25-0): procedimento de abertura do seio esfenoidal como parte da abordagem do acesso à base do crânio e/ou região selar.

  1. Sinusotomia esfenoidal por videoendoscopia (3.05.02.34-9): código referente ao ato cirúrgico de abertura do seio esfenoidal como uma das partes que integram o acesso cirúrgico da região selar e adjacências.

 

  1. Sinusotomia frontal via externa (3.05.02.27-6): código utilizado para acesso onde o osso frontal está envolvido, como cirurgias de base de crânio anterior e acesso Perneski). Pode ainda ser agregado em cirurgias de reparo de fraturas de crânio envolvendo osso frontal ou tumores neste osso.

 

  1. Teste de oclusão de arteria carótida ou vertebral (4.08.10.02-0): teste realizado nas cirurgias vasculares e endovasculares para avaliar a patência da circulação contra-lateral.

 

  1. Tumor de nervo acústico – Ressecção via translabiríntica ou fossa média (3.04.04.13-4): código utilizado todas às vezes que for necessário a ressecção do osso temporal por via translabiríntica para acessar tumores do nervo acústico na sua porção intracanalicular.

  1. Turbinectomia ou turbinoplastia – unilateral (3.05.01.45-8): código utilizado para a remoção das estruturas dos cornetos nasais na cavidade nasal como parte da via de acesso da região selar e adjacências. Ao final da

II.C – Códigos de Procedimentos Neurocirúrgicos Principais

  1. Autotransplante de outros retalhos, isolados entre si, e associados mediante um único pedículo vascular comuns aos retalhos (3.07.05.06-1): código referente ao ato de captar o retalho vascular para anastomose vascular intra/extracraniana, como nas cirurgias de by-pass.

 

  1. Correção cirúrgica de depressão (afundamento) da região frontal (3.02.09.05-6): procedimento realizado na cirurgia de fratura de crânio para correção de afundamento de fragmentos, podendo estar ou não associado ao tratamento de outras patologias comuns no trauma cranioencefálico.

 

  1. Cranioplastia (3.02.15.01-3): Tratamento cirúrgico da falha óssea de crânio decorrente de pós-operatório de: craniectomia descompressiva; retirada de fragmentos de fratura ou no acesso cirúrgico; lesões osteolíticas inflamatórias/infecciosas e/ou neoplásicas. O preenchimento da falha óssea pode ser realizado com cimento ósseo (acrílico), prótese prototipada e/ou ainda o próprio osso armazenado em abdome (quando viável) ou banco de ossos (quando disponível). Há reconstrução dural com retalho da gálea aponeurótica e reconstrução da anatomia temporal com rotação do músculo temporal.

 

  1. Craniotomia descompressiva (3.02.15.02-1): além de ser utilizado nas cirurgias de trauma craniano para descompressão encefálica e alívio da HIC, este código também pode ser agregado nas cirurgias da transição crânio-cervical onde uma craniotomia/craniectomia suboccipital é realizado como parte do acesso da fossa posterior, ou forame magno, ou como parte do tratamento das malformações da transição crânio-cervical (Arnold-Chiari).

 

  1. Craniotomia para remoção de corpo estranho (3.14.01.04-0): Cirurgia realizada para retirada de material de síntese infectado e/ou danificado (cranioplastia, botões de crânio, etc). Pode ser ainda utilizado para retirada de materiais que perfuraram o crânio (projetil, arma branca, fragmentos vidros, etc). Este procedimento pode entrar como complementar dos outros códigos de trauma descritos neste capítulo, caso haja necessidade de retirada de corpo estranho também nas outras cirurgias.

 

  1. Craniotomia para tumores ósseos (3.02.15.03-0): craniotomia realizado para ressecção de tumores ósseos primários da calota craniana, assim como de lesões metastáticas, lesões intracranianas que envolvem o osso craniano por contiguidade (ex, ressecção de meningeomas Simpson 0) ou lesões inflamatórias (histiocitose, etc).

 

  1. Derivação lombar externa (3.07.15.08-3): shunt cirúrgico realizado entre o espaço intrarraquidiano e o meio externo (bolsa coletora) para drenagem liquórica com finalidade diagnóstica, terapêutica ou como parte de cirurgias de crânio para melhorar a exposição cisternal no acesso cirúrgico.

  1. Descompressão da órbita ou nervo óptico (3.03.02.02-1): procedimento realizado na cirurgia de trauma de crânio ou de tumor de órbita, que necessite descompressão da órbita, a qual se apresenta com pressão intraorbitária elevada levando ao risco iminente de isquemia do nervo óptico e demais estruturas intraorbitárias. Também pode ser usado como um código referente ao ato cirúrgico da região selar e adjacências, por via aberta ou endoscópica, onde além da ressecção tumoral, também há a descompressão cirúrgica do nervo e/ou quiasma óptico através da dissecção da interface tumor/nervo.

 

  1. Descompressão vascular de nervos cranianos (3.14.04.01-4): cirurgia referente à descompressão do contato neurovascular de nervos cranianos, como por exemplo nas cirurgias do Trigêmeo e nervo facial, dentre outras.

 

  1. Exploração e descompressão total do nervo facial – transmastóideo, translabiríntico, fossa média (3.04.04.05-3): código referente ao acesso cirúrgico que se faz para exploração, descompressão e isolamento do nervo facial na sua porção extracraniana no acesso cirúrgico do tumor de glomus jugular. Este código ainda pode ser usado como código referente a um dos atos cirúrgicos de tumores de ângulo ponto-cerebelar (APC), onde se realiza a exploração intracraniana cirúrgica da interface tumor e nervo facial, para sua descompressão e ressecção do tumor aderido ao nervo.

 

  1. Fratura de órbita – redução cirúrgica (3.03.02.06-4): procedimento realizado na cirurgia de fratura do crânio com traço de fratura envolvendo a cavidade orbital demandando sua redução e/ou correção da deformidade.

 

  1. Glomus jugular – Ressecção (3.04.03.06-5): código referente ao ato principal da ressecção de tumor de glomus jugular com localização intra/extracraniana, utilizando a magnificação e técnica por microscopia. A drilagem transmatoidea/translabirintica do osso temporal faz parte do acesso para exploração e isolamento do nervo facial em seu trajeto extracraniano/intra-ósseo, objetivando assim a exposição do tumor do glomus jugular.

 

  1. Implante de cateter intracraniano (3.14.01.08-2): refere-se ao implante de cateter intracraniano de qualquer natureza, como monitorização da pressão intracraniana (PIC), derivações ventriculares (DVE, DVP, DVA, DVPL), microdiálise cerebral ou ainda nos procedimentos neurofuncionais, como a neuralgia do trigêmeo, onde se utiliza um cateter de Fogarty.

  1. Ligadura de carótidas ou ramos (3.09.06.21-0): procedimento realizado nas cirurgias abertas de carótidas, quando há ligadura temporária ou definitiva de uma das carótidas e/ou seus ramos. Ainda pode ser utilizada como tratamento de lesões vasculares intracranianas (aneurismas gigantes, MAVs) inoperáveis por abordagem direta.

 

  1. Microcirurgia para tumores intracranianos (3.14.01.15-5): código utilizado para realização do tempo principal nas cirurgias de tumores intracranianos auxiliado com magnificação do microscópio. Inclui os tumores de hipófise/selares, intraparenquimatoso e demais regiões intracranianas, inclusive tumores da calota craniana invadindo espaço intracraniano com extensão para as estruturas adjacentes.

 

  1. Microcirurgia para tumores orbitários (3.03.02.09-9): cirurgia com magnificação e técnica microscópica para ressecção de tumores intra-orbitários intraconal/extraconal. Além da ressecção tumoral, esta cirurgia também objetiva a descompressão do nervo óptico ou da órbita, que se encontra com sua pressão intra-orbital elevada. A ressecção osso temporal faz parte do acesso, e o fechamento incluir reconstrução da órbita e craniofacial com apoio da musculatura temporal.

 

  1. Microcirurgia por via Transesfenoidal (3.14.01.16-3): Código referente aos tumores intracranianos localizados especificamente na sela turca com/sem extensões supra-selar/para-selar. Utiliza magnificação e técnica por microscopia (3.14.01.15-5) e/ou endoscopia (3.14.01.03-1).

 

  1. Microcirurgia vascular intracraniana (3.14.01.17-1): código referente ao um dos atos principais nas cirúrgicas vascular intracraniano, onde se faz a microdissecção dos vasos, aneurismas, malformações vasculares para tratamento cirúrgico de patologias cérebro-vasculares.

 

  1. Microneurólise múltipla (3.14.03.22-0): quando utilizada na cirurgia de medula presa da neurocirurgia pediátrica, refere-se à dissecção e desconexão das raízes e/ou cauda equina para liberação da medula.

 

  1. Pontes transcervicais – qualquer tipo (3.09.06.35-0): pontes vasculares entre circulação carotídea e intracraniana com enxerto vascular para anastomose by-pass direto.

 

  1. Preparo de veia autóloga para remendos vasculares (3.09.06.37-7): código referente ao preparo do enxerto vascular para cirurgia de by-pass intracraniano direto.

 

  1. Redirecionamento do fluxo sanguíneo – com anastomose direta, retalho, tubo (3.09.01.09-0): código referente ao redirecionamento do fluxo sanguíneo cerebral por ocasião da cirurgia de anastomose intra/extracraniana.

 

  1. Redução de fratura do seio frontal – acesso coronal (3.02.07.04-5): procedimento realizado na cirurgia de fratura do crânio com traço de fratura envolvendo osso frontal demandando sua redução, correção do afundamento e tratamento do seio frontal para evitar fístula liquórica para cavidade nasal (rinoliquorréia).

 

  1. Ressecção de mucocele frontal (3.14.01.20-1): ressecção de um epitélio patológico das paredes do seio frontal com o objetivo de reestabelecimento dos óstios de drenagem. Realizado através de uma craniotomia frontal.

 

  1. Sistema de derivação ventricular interna com válvula ou revisões (3.14.01.23-6): shunt cirúrgico realizado entre o sistema liquórico ventricular, cisternal intracraniano ou ainda cisternal lombar (ponto proximal) com outro espaço interno extra-raquidiano (ponto distal), como por exemplo pleura, átrio cardíaco, peritônio, etc. Este procedimento é realizado através de interposição de um sistema de cateteres, conectores e válvula entre os pontos proximal e distal. Eventualmente, pode haver a necessitar de revisão uma ou mais partes do sistema.

  1. Terceiro-ventrículostomia (3.14.01.24-4): ato cirúrgico que objetiva promover um shunt liquórico entre o terceiro ventrículo com a cisterna perimesencefálica e adjacências cisternais. Pode ser realizado como ato principal, como nas cirurgias de hidrocefalia, ou ainda como ato complementar em cirurgias de aneurisma cerebrais ou ainda endoscópicas ventriculares de tumores, cistos, septoplastia e hematomas intraventriculares. Quando realizado por endoscopia intracraniana, incluído código associado (3.14.01.03-1).

 

  1. Tratamento cirúrgico da craniossinostose (3.02.15.07-2): tratamento cirúrgico da deformidade craniana de cranioestenose tempo craniano ou craniofacial.

 

  1. Tratamento cirúrgico da fratura do crânio/afundamento (3.02.15.08-0): correção cirúrgica da deformidade craniana decorrente de traumatismo craniano onde houve afundamento de um dos fragmentos fraturados para dentro do crânio.

  1. Tratamento cirúrgico da isquemia cerebral (3.09.06.43-1): Tratamento cirúrgico do infarto no território da artéria cerebral média (ACM) através da craniectomia descompressiva objetivando alívio do edema cerebral hemisférico e hipertensão intracraniana (HIC), evitando assim a herniação cerebral, e consequentemente melhorando a microcirculação na área de penumbra. A descompressão óssea é complementada com duroplastia utilizando gálea como retalho na sua confecção e musculo temporal para oclusão hermética da dura-máter. A calota craniana retirada por ocasião da craniectomia descompressiva poderá ser armazenada na região abdominal, e por isso a necessidade justificada de uma laparotomia associada. Este código ainda pode ser utilizado nas cirurgias de by-pass cerebral por se tratar também de cirurgia de isquemia cerebral.

 

  1. Tratamento cirúrgico da meningoencefalocele (3.14.01.27-9): código referente ao tratamento cirúrgico da malformação craniovertebral, onde o defeito de fechamento do tubo neural leva a herniação do conteúdo intracraniano (encéfalo e/ou meninges) necessitando toda reconstrução craniana e dural com retalho de gálea aponeurótica. Quando há o envolvimento da região cervical alta, o código de Tratamento de disrafismo deve ser incluído (3.07.15.33-4).

 

  1. Tratamento cirúrgico das malformações craniovertebrais (3.07.15.32-6): código referente ao tratamento cirúrgico das malformações envolvendo a transição crânio-cervical, como Arnold-Chiari, disrafismo, medular presa, meningoencefalocele, etc.

 

  1. Tratamento cirúrgico de osteomielite de crânio (3.02.15.09-9): tratamento realizado para ressecção óssea de parte da calota craniana acometido por infecção, associada ou não a retirada de material de fechamento de crânio.

 

  1. Tratamento cirúrgico de síndrome vértebro basilar (3.09.06.44-0): código referente ao by-pass realizado no sistema vértebro-basilar por cirurgia aberta para o tratamento de síndromes cerebrovasculares oclusivas ou aneurisma complexos do sistema vértebro basilar com anastomose entre ramos da artéria carótida externa (ACE) e artéria vertebral (AV). Utilizado enxerto vascular da artéria occipital, radial ou veia safena.

 

  1. Tratamento cirúrgico de tumores cerebrais sem microscopia (3.14.01.28-7): código utilizado para realização do tempo principal nas cirurgias de tumores intracranianos sem a magnificação do microscópio. Inclui os tumores já citados no código 3.14.01.15-5 e os tumores onde há necessidade de biópsia a céu aberto.

 

  1. Tratamento cirúrgico do abscesso encefálico (3.14.01.29-5): drenagem cirúrgica de coleção purulenta localizado dentro do parênquima cerebral, espaço subdural e/ou epidural. Pode ainda fazer parte da cirurgia de tratamento cirúrgico de osteomielite de crânio, quando associado a supuração intracraniana do osso acometido.

 

  1. Tratamento cirúrgico do disrafismo (3.07.15.33-4): código referente ao tratamento dos defeitos de fechamento do tubo neural (disrafismo espinhal), seja ele aberto ou fechado/oculto. Quando este defeito se localizar na região cervical alta ou transição crânio-cervical, o código 3.07.15.32-6 cabe por se tratar de uma malformação craniovertebral. O sucesso desta cirurgia depende do trabalho minucioso de fechamento multicamadas deste defeito, por isso a agregação de vários códigos para o fechamento, como a rotação de vários tipos de retalhos e plástica em Z ou W.

 

  1. Tratamento microcirúrgico das lesões intramedulares – tumor, malformações arteriovenosas, siringomielia, parasitoses (3.07.15.35-0): além das indicações clássicas de tratamentos de lesões medulares, este código é também utilizado em conjunto com outros na cirurgia da medula presa, onde há a liberação da medula presa e consequentemente tratando a siringomielia associada a estes casos.

 

  1. Tumor de Órbita – Exérese (3.03.02.13-7): código referente à ressecção de tumores ósseos primários ou secundários localizados na órbita, onde uma craniotomia se faz necessário para abordagem cirúrgica.

 

II.D – Códigos de Procedimentos Neurocirúrgicos Finais e/ou Fechamento

  1. Curativo especial sob anestesia – por unidade topográfica (3.01.01.23-9): curativo realizado após todas neurocirurgias, que pode envolver desde bandagem/turbante até outros curativos mais simples. Esta é a última etapa de toda cirurgia.

 

  1. Extensos ferimentos – excisão e retalhos cutâneos da região (3.01.01.58-1): código que representa uma das etapas do fechamento multicamadas do defeito do tubo neural (mielomeningocele ou meningoencefalocele) com a utilização de pele para rotação do retalho.

 

  1. Extensos ferimentos – exérese e emprego retalhos cutâneos-musculares cruzados (3.01.01.53-0): código que representa uma das etapas do fechamento multicamadas do defeito do tubo neural (mielomeningocele) com a utilização de retalhos cutâneos-cruzados.

 

  1. Extensos ferimentos – exérese e rotação de retalho fasciocutaneo (3.01.01.55-7): código que representa uma das etapas do fechamento multicamadas do defeito do tubo neural (mielomeningocele ou meningoencefalocele) com a utilização de fáscia e pele.

 

  1. Extensos ferimentos – exérese e rotação de retalhos musculares (3.01.01.57-3): código que representa uma das etapas do fechamento multicamadas do defeito do tubo neural (mielomeningocele) com a utilização de músculos paravertebrais.

 

  1. Extensos ferimentos – exérese e rotação retalhos miocutâneos (3.01.01.56-5): código que representa uma das etapas do fechamento multicamadas do defeito do tubo neural (mielomeningocele ou meningoencefalocele) com a utilização de bloco de enxerto com pele e músculo.

 

  1. Fratura do arco zigomático – redução cirúrgica com fixação (3.02.07.07-0): código referente ao reposicionamento/redução cirúrgica com material de fixação do arco zigomático fraturado por ocasião do acesso envolvendo este osso, como acesso FOZ.

 

  1. Miorrafias (3.07.30.11-2): código referente ao fechamento da parte muscular do acesso cirúrgico, sendo uma das etapas do fechamento.

 

  1. Monitorização neurofisiológica intra-operatória (2.02.02.04-0): Recurso muito utilizado nas cirurgias de tumores intracranianos para monitorização de nervos cranianos, nas ressecções de tumores de área eloquentes e na transição craniocervical.

 

  1. Plástica em Z ou W (3.01.01.67-0): código utilizado para o fechamento de pele tipo zetaplastia ou plastia em W como parte da ultima camada no fechamento do defeito do tubo neural (mielomeningocele ou meningoencefalocele).

 

  1. Reconstituição de paredes orbitárias (3.03.02.10-2): procedimento complementar à cirurgia de trauma de crânio ou tumores orbitários, envolvendo a cavidade orbitária, onde se faz a reconstrução anatômicas das paredes da órbita associada ao código de reconstrução craniofacial (3.02.15.04-8).

 

  1. Reconstrução com retalho da gálea aponeurótica (3.01.01.68-9): procedimento realizado como parte da etapa de fechamento na maioria das cirurgias cranianas, onde um retalho de gálea aponeurótica é utilizado como doadora de tecido para duroplastia, oclusão de seio frontal ou ainda na sustentação e reaproximação do flap ósseo retirado por ocasião da craniotomia.

 

  1. Reconstrução com rotação do msculo temporal (3.02.10.10-0): código referente ao reposicionamento do flap de músculo temporal transposicionado durante o acesso com finalidade de reconstrução da anatomia original, como parte do retalho na reconstrução dural ou ainda como parte da cirurgia de revascularização intra/extracraniana nas doenças cérebro-oclusivas (ex, Doença de moyamoya).

 

  1. Reconstrução craniana ou craniofacial (3.02.15.04-8): procedimento complementar na etapa de fechamento das cirurgias cranianas ou craniofaciais, necessária para reposicionamento planiforme do flap ósseo da craniotomia.

 

  1. Tratamento cirúrgico de fístula liquórica (3.14.01.26-0): código utilizando para fechamento da dura-máter com objetivo de ocluir qualquer ponto de saída de líquor, seja ele primário (após ato cirúrgico imediato) ou secundário (decorrente de TCE, inflamação/infecção envolvendo a meninge, espontânea ou ainda como uma complicação pós-operatória tardia).

 

  1. Tratamento cirúrgico do hematoma intracraniano (3.14.01.30-9): drenagem cirúrgica de hematoma intracraniano agudo ou crônico no espaço extradural, subdural, subaracnóideo/cisternal e/ou intraparenquimatoso. A drenagem pode ser através de craniotomia, craniectomia, trefina ou ainda trepanação.

 

II.E – Códigos de Procedimentos da Neurocirurgia Endovascular

CONCEITOS PRELIMINARES:

  1. Angiografia: procedimento diagnóstico invasivo realizado com estudo contrastado estático do lúmen intravascular Intra e/ou extracraniano. A ponta do cateter é levada até o vaso a ser examinado. A partir deste estudo, são revelados filmes (angiogramas) com as imagens mais representativas do exame diagnóstico, ou do procedimento endovascular para controle e registro transoperatório/pós-operatório.
  2. Angioplastia: procedimento com finalidade de tratamento do estreitamento do lúmen intravascular intra e/ou extracraniano. Realizado através de um balão endovascular.
  3. Cateterismo, não-seletivo, seletivo e superseletivo: procedimento com finalidade diagnóstica e/ou terapêutica, onde são utilizados cateteres ou microcateteres para cateterizar de forma não seletiva os troncos supra-aórticos (artérias carótidas comuns e subclávias), de forma seletiva (artérias carótidas comuns, interna e externa) e super-seletiva (ramos primários e secundários das artérias carótidas interna e externa).
  4. Embolectomia: também conhecido como trombectomia, trata-se de um procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a remoção mecânica do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de dispositivos endovasculares.
  5. Embolização: procedimento onde se faz a oclusão intravascular de vasos e/ou de aneurismas saculares através de utilização de materiais endovasculares específicos (molas, ônix, cola, partículas, etc.).
  6. Estudo cineangiográfico: procedimento diagnóstico invasivo realizado através do estudo contrastado dinâmico do lúmen intravascular Intra e/ou extracraniano. A partir deste estudo, são gravados filmes em CDs para posterior estudo dinâmico dos vasos.
  7. Fístula Artériovenosa (FAV): é uma comunicação anômala entre uma artéria e veia, sem a intermediação deste fluxo pela rede de capilares. O risco de sangramento está associado ao fluxo sanguíneo anômalo de um sistema de alta pressão (artéria) para um sistema de baixa pressão (veia), e por isso a necessidade de oclusão desta comunicação. Lembrando ainda, que toda FAV é também uma MAV.
  8. Malformação Artériovenosa (MAV): é uma coleção anômala de vasos sanguíneos na qual o sangue arterial flui diretamente para as veias de drenagem sem os leitos capilares interpostos, através de um enovelado de vasos com anastomoses bizarras (nidus). Não há parênquima cerebral contido no dentro do nidus.
  9. Trombólise: procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a dissolução química do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de substâncias trombolíticas (ex, Ateplase).

DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS MAIS UTILIZADOS:

  1. Aneurismas rotos ou trombosados – outros (3.09.10.02-1): código referente ao tratamento emergencial de aneurisma roto ou trombosado por qualquer método (Endovascular ou cirurgia aberta). Observando que o aneurisma pode estar isolado ou em associação com outras malformações vasculares, como MAVs e FAVs.

 

  1. Angiografia por cateterismo não seletivo de grande vaso (4.08.12.03-0): estudo hemodinâmico realizado na aorta em seus segmentos abdominal ou torácico para a subida do cateter de angiografia de forma segura ao realizar o contorno do cajado aórtico. É uma das primeiras etapas no estudo hemodinâmico intracraniano.

 

  1. Angiografia por cateterismo seletivo de ramo primário por vaso (4.08.12.04-9): estudo hemodinâmico das artérias carótidas comuns e artérias vertebrais (total de 4 vasos).

 

  1. Angiografia por cateterismo super-seletivo de ramo secundário ou distal por vaso (4.08.12.05-7): estudo hemodinâmico de ramos secundários da carótida interna (ramos da artéria cerebral média, anterior, ou circulação posterior) ou carótida externa realizados através de microcateter para o estudo da microcirculação dos vasos pre ou pos lesão vascular (MAV, FAV, aneurismas, trombos, etc).

 

  1. Angiografia por punção (4.08.12.02-2): código referente ao puncionamento da artéria femoral, carótida ou radial para iniciar os estudos hemodinâmicos necessários.

 

  1. Angiografia pós-operatória de controle (4.08.12.07-3): angiografia final para controle do tratamento Endovascular realizado, utilizado para comparar com exame inicial da doença cerebrovascular. Trata-se de uma importante etapa para avaliar se o tratamento foi completo ou parcial.
  2. Angiografia transoperatória de posicionamento (4.08.12.06-5): angiografia de controle realizado no trans-operatório para verificar o posicionamento do material endovascular, como guias, microguias, cateteres, microcateteres, filtro vascular, mola, cola, balão, stents, etc.

 

  1. Angioplastia de ramo intracraniano (4.08.13.06-1): procedimento realizado para o tratamento da estenose ou vasoespasmo intracraniano.

 

  1. Angioplastia de tronco supra-aortico (4.08.13.07-0): código referente ao tratamento do estreitamento crítico do lúmen intravascular com comprometimento da circulação a montante. Normalmente realizado através de balão endovascular e indicado para tratamento de estenose de carótida associado ou não a stent, ou ainda indicado no tratamento do vasoespasmo.

 

  1. Cateterismo e estudo cineangiográfico da aorta e/ou seus ramos (3.09.11.09-5): estudo hemodinâmico necessário para identificação do tipo de tronco aórtico do paciente com finalidade de refinar a cateterização dos óstios dos ramos da aorta (subclávias, carótidas comuns) minimizando os traumas com cateter contra parede arterial e os riscos de deslocamentos de trombos oriundos de placas ateromatosas destes ramos. Um road map pode ser adquirido através deste estudo para um cateterismo seguro dos ramos da aorta.

 

  1. Colocação de stent em ramo intracraniano – por vaso (4.08.13.19-3): código referente ao tratamento Endovascular estenose intracraniana, valorizado por cada vaso colocado stent.

 

  1. Colocação de stent em tronco supra-aortico (4.08.13.20-7): código referente à colocação de stent arterial da carótida para correção da estenose de carótida.

 

  1. Curativo especial sob anestesia – por unidade topográfica (3.01.01.23-9): curativo realizado após 30-40 minutos da retirada do introdutor na artéria femoral sob compressão local.

 

  1. Embolectomia ou trombolectomia arterial (3.09.10.08-0): procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a remoção mecânica do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de dispositivos endovasculares, como por ex, stents e aspiração.

 

  1. Embolização de aneurisma cerebral por ocluso sacular – por vaso (4.08.13.54-1): código referente ao tratamento endovascular de aneurismas saculares intracranianos, valorizado para cada vaso cateterizado no tratamento do aneurisma cerebral.

 

  1. Embolização de fístula arterio-venosa não especificada (4.08.13.71-1): código referente ao tratamento endovascular de angioma de face através de embolização de ramos secundários dos ramos principais da artéria carótida externa.

 

  1. Embolização de fstula AV em cabeça, pescoo ou coluna -por vaso (4.08.13.57-6): tratamento endovascular de FAVs de circulação cervical (carótidas e vertebrais), caródida extra e intracranianas. Valorizado por cada vaso alimentadora da FAVs (Feed) embolizado no tratamento. Este tratamento pode ocorrer em uma ou mais etapas dependendo da complexidade da FAV. Lembrando ainda que toda FAV é também uma MAVs.

 

  1. Embolização de malformação arteriovenosa cerebral ou medular – por vaso (4.08.13.56-8): tratamento Endovascular de MAVs e FAVs intracranianos ou medulares, valorizado por cada vaso embolizado (feeds). Este tratamento pode ocorrer em uma ou mais etapas dependendo da complexidade da MAV ou FAV. Lembrando ainda que MAVs contém normalmente associadas outras patologias vasculares, como FAVs e aneurismas, que são da mesma forma tratados.

 

  1. Embolização de tumor de cabea e pescoço (4.08.13.78-9): código referente à embolização de vasos nutridores da lesão tumoral da cabeça e pescoço com o objetivo de diminuir o sangramento transoperatório na ressecção de tumores cabeça/pescoço e intracranianos, como meningeomas, tumor de glomus, dentre outros. Realizado normalmente até uma semana antes do procedimento.

 

  1. Embolização de tumor ósseo ou de partes moles (4.08.13.80-0): código referente ao tratamento de tumores ósseos do crânio ou coluna, como cisto ósseo aneurismático, hemangiomas, etc.

 

  1. Embolização para tratamento de epistaxe (4.08.13.58-4): procedimento onde há cateterização do tronco aórtico ao cateterismo super-seletivo de vasos da nasofaringe (ramos da artéria carótida externa), com objetivo de embolizar vasos sangrantes não controlado por métodos otorrinológicos tradicionais.

 

  1. Radioscopia para acompanhamento de procedimento cirúrgico (4.08.11.02-6): código referente ao uso da radioscopia/fluoroscopia da hemodinâmica. Valorizado por hora de cirurgia. Este código também é utilizado em outras subáreas da neurocirurgia.

 

  1. Retira percutânea de corpos estranhos vasculares (3.09.12.21-0): procedimento realizado para recuperação de material Endovascular implantado, como soltura inadvertida do material, molas que escaparam do colo do aneurisma, stents de trombectomia, etc.

 

  1. Teste de oclusão de arteria carótida ou vertebral (4.08.10.02-0): teste realizado rotineiramente para avaliar a patência de anastomoses entre a circulação direita/esquerda e/ou circulação anterior/posterior.

 

  1. Trombólise medicamentosa em troncos supra-aortico e intracranianos (4.08.14.04-1): tratamento medicamentoso IV para o AVCi objetivando a dissolução química do trombo ocluindo o lúmen de vasos intracranianos.

 

II.F – Códigos de Procedimentos da Neurocirurgia Funcional

CONCEITOS PRELIMINARES:

  1. Segmento vertebral: Espaço compreendido por duas vértebras e o disco intervertebral entre elas.
  2. Neuroforame: Refere-se ao ponto de saída das raízes da coluna de cada segmento vertebral.
  3. Nível vertebral ou discal: Refere-se a cada vértebra ou a cada disco intervertebral, individualmente.
  4. Segmento medular: Porção da medula espinhal que dá origem a um par de raízes espinais, direita e esquerda.
  5. Estereotaxia: Método de localização de precisão milimétrica muito utilizado em neurocirurgia funcional que permite a identificação de alvos superficiais e profundos no encéfalo com mínimo dano tecidual. Utiliza-se de exames de imagens para identificar estruturas anatômicas, alvos funcionais ou lesões intracranianas a serem biopsiadas ou ressecadas. A determinação do alvo é feita através de cálculos matemáticos computacionais que definem três coordenadas cartesianas para cada alvo.

DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS MAIS UTILIZADOS:

  1. Acompanhamento médico para transporte intra-hospitalar (01.05.07-7): Refere-se ao transporte do paciente com o halo de estereotaxia fixado no crânio entre os ambientes intra-hospitalar, como enfermaria, UTI, centro de imagens (tomografia, ressonância magnética) e finalizando no centro cirúrgico, onde o procedimento será realizado.
  1. Biópsia estereotáctica (3.14.01.01-5): Refere-se ao ato de, em ambiente de estereotaxia, retirar fragmentos de lesões ou tecidos encefálicos para análise laboratorial e anatomopatológica.
  1. Bloqueio anestésico do plexo celíaco (3.16.02.05-3): Bloqueio com anestésicos locais do plexo celíaco para alívio da dor abdominal crônica e intratável mediada por este plexo nervoso. Pode ser utilizado ainda como método diagnóstico-terapêutico na avaliação pré-operatória de bloqueio neurolítico ou rizotomia. Neste procedimento, ainda é alcançado outros nervos adjacentes do sistema nervoso autônomo (3.14.05.01-0) e periféricos (3.16.02.11-8), como os nervos esplâncnicos.
  1. Bloqueio neurolítico de nervos cranianos ou cervico-torácico (3.16.02.13-4): Refere-se ao bloqueio por método químico realizada em nervos cranianos ou cervico-torácica. Utilizado para tratamento de dor crônica (cranialgias, dores faciais, etc).
  1. Bloqueio Neurolítico do plexo celíaco, simpático lombar ou torácico (3.16.02.14-2): Procedimento com a destruição do plexo celíaco ou outros nervos do sistema simpático através de substâncias químicas neurolíticas (álcool, fenol, etc) no tratamento da dor abdominal crônica. Como os nervos esplâncnicos e outros nervos simpáticos também são alvos deste procedimento, outros códigos de bloqueio do sistema nervoso autônomo (3.14.05.01-0) e periféricos (3.16.02.11-8) são incluídos.
  1. Bloqueio peridural ou subaracnoide com corticoide (16.02.16-9): Procedimento realizado juntamente com outros tipos de infiltração da coluna vertebral para alívio da dor. O espaço peridural é alcançado por técnica interlaminal, paravertebral ou foraminal.
  1. Cervicotomia exploradora (3.02.12.01-4): Consiste na exploração cirúrgica para acesso ao feixe vásculo-nervoso com objetivo de identificação do nervo vago.
  1. Cirurgia da coluna por via endoscópica (3.07.15.05 – 9): Procedimento utilizado em neurocirurgia funcional que permite intervenção na medula espinhal sob visão endoscópica ou assistida por ele, como por exemplo na cordotomia percutânea.
  1. Coluna vertebral: infiltração foraminal ou facetária ou articular (4.08.13.36-3): Utilizado para infiltrar medicamentos como anestésicos e/ou corticoide em pontos específicos da coluna vertebral, como por exemplo nos locais de saída dos nervos (forames) ou nas articulações facetarias. Este código deve ser multiplicado pelo número de facetas/segmentos vertebrais pelo número de neuroforames infiltrados e/ou articulações.
  1. Cordotomia-mielotomias por radiofrequência (3.14.02.01-1): Procedimento utilizado no tratamento da dor crônica. Consiste na interrupção das vias nociceptivas na medula espinhal. Pode ser realizada com auxílio da microcirurgia ou percutânea com assistência de mielografia ou de endoscopia.
  1. Drenagem estereotáctica (3.14.01.06.-6): Consiste na drenagem de coleções líquidas intracranianas (hematomas, cistos, abscessos) com todo aparato de estereotaxia.
  1. Exploração cirúrgica do nervo – Neurólise externa (3.14.03.12-3): Dissecção externa do nervo isolando-o das demais estruturas adjacentes para permitir a realização de procedimentos no nervo isolado.
  1. Impedanciometria (4.01.03.43-9): Impedância é a resistência que um circuito faz à passagem de corrente elétrica. Como cada tecido (meio) tem sua impedância própria (substância cinzenta, substância branca do encéfalo, medula, sangue, líquor, osso, etc), sua medida tem também valor localizatório também demonstra a integridade elétrica intraoperatória de dispositivos de neuroestimulação implantados. Utiliza-se este recurso na avaliação de polos de eletrodos implantados para estimulação elétrica do sistema nervoso e também para procedimentos por radiofrequência.
  1. Implante de eletrodo cerebral profundo (3.14.01.09-0): Refere-se ao implante transitório de eletrodo para análise neurofisiológica durante o procedimento cirúrgico, assim como para realização de lesões por radiofrequência.
  1. Implante de eletrodo para estimulação cerebral ou medular (3.14.01.10-4): Técnica muito utilizada em neurocirurgia funcional (distúrbios do movimento, dor crônica, epilepsia) em que o eletrodo é implantado por estereotaxia quando no encéfalo, e com auxílio de radioscopia para implante na medula espinhal, de forma precisa e definitiva, em contato com a estrutura anatômica definida previamente.
  1. Implante de gerador para neuroestimulação (3.14.03.14-0): Refere-se à implantação do gerador de pulsos (fonte da energia ou bateria), que será conectado ao eletrodo através de cabo extensor, para produção e transmissão dos impulsos elétricos a serem liberados no(s) polo(s) ativo(s) do eletrodo. Esse procedimento pode ser multiplicado, dependendo do tipo de sistema de eletrodos utilizado. Pode ser utilizado em eletrodos cerebrais, medulares e de estimulação de nervos periféricos.
  1. Implante de halo estereotáctico para radiocirurgia (3.14.01.35-0): Consiste na fixação do aparato (halo, guia) estereotáctico ao crânio do paciente. É a primeira etapa de todo procedimento estereotáctico. Pode ser feita sob anestesia local ou geral em ambiente hospitalar.

 

  1. Laminectomia ou laminotomia (3.07.15.19-9): Procedimento utilizado em neurocirurgia funcional para possibilitar o acesso a intervenções na medula espinal e também nas raízes espinais.
  1. Lesão da substância gelatinosa medular (DREZ) por radiofrequencia (3.14.02.02-0): Também chamado de Drezotomia, este procedimento é utilizado tanto no tratamento da dor crônica quanto espasticidade. Consiste na ablação de regiões da medula espinhal, através de lesão da substância gelatinosa e/ou tratotomia de Lissauer. Acesso através de laminectomia e técnica microcirúrgica. O procedimento ablativo pode ser feito por meio de aplicação de radiofrequência, com eletrodo dedicado controlado pela medida de temperatura local ou com bipolar. O ato cirúrgico é remunerado pelo número de segmentos medulares envolvidos na ablação.
  1. Lesão estereotáctica de estruturas profundas para tratamento da dor ou movimento anormal (3.14.03.16-6): Consiste na ablação, geralmente por radiofrequência, de estruturas anatômicas implicadas na fisiopatogenia da disfunção neurológica a ser tratada. Esse procedimento deve ser multiplicado pelo número de alvos.
  1. Localização estereotáctica de corpo estranho intracraniana com remoção (3.14.01.14-7): Consiste na localização anatômica de estruturas ou lesões intracranianas (alvos) de forma extremamente precisa. Utiliza-se para tal identificação, diversos exames de imagem (ventriculografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética), atlas de estereotaxia, programa de estereotaxia para fusão de imagens e cálculo da trajetória e alvo). Cada alvo é identificado e localizado através de cálculos matemáticos (coordenadas cartesianas) assim como sua projeção no crânio (ponto de entrada) de forma individual. Esta é uma etapa essencial em todo procedimento que utiliza estereotaxia. Este procedimento deve ser multiplicado pelo número de alvos, pois cada alvo corresponde a um novo processo.
  1. Microneurólise intraneural ou intrafascicular de dois ou mais nervos (3.14.03.21-2): Refere-se ao ato de dissecção entre as fibras de um nervo.
  1. Monitorização neurofisiológica intra-operatória (2.02.02.04-0): Recurso muito utilizado em neurocirurgia funcional para refinamento na localização de estruturas anatômicas (núcleos, nervos) e também na avaliação dinâmica do ato cirúrgico. Utiliza-se o registro de potenciais neuronais espontâneos e/ou a estimulação elétrica.
  1. Punção liquórica (3.07.15.25–3): Além de método diagnóstico, aqui este procedimento é também utilizado para permitir intervenções percutâneas na medula espinhal e como acesso ao espaço subaracnóideo. Também é utilizado tanto nos teste pré-implante quanto nos implantes de bombas de infusão de fármacos intratecal para acessar os espaços liquórico subaracnóideos.
  1. Radioscopia para acompanhamento de procedimento cirúrgico (por hora ou fração) (4.08.11.02-6): A maioria dos procedimentos em neurocirurgia funcional são realizados sob controle radioscópico, seja para confirmação do posicionamento (eletrodo, agulha, cânula) na mira da estereotaxia, seja na realização de procedimentos percutâneos guiados por radioscopia que exigem interpretação contínua das imagens, como os realizados na coluna vertebral. Esse procedimento é multiplicado pelo tempo total do procedimento, em horas e frações.
  1. Rizotomia percutânea por segmento (3.14.03.33-6): Procedimento muito utilizado em neurocirurgia funcional no tratamento da dor crônica. Também é utilizado no tratamento da espasticidade. Pode ser executada por método químico ou por radiofrequência.
  1. Tratamento da neuralgia do trigêmeo por via percutânea (3.14.04.03-0): Trata-se de procedimento ablativo, minimamente invasivo, que pode ser feito de forma mecânica/isquêmica (compressão com balão), térmica (radiofrequência) ou química (glicerol ou outro agente neurolítico). Quando realizado por radiofrequência, exige a localização do ramo afetado através de estudo eletrofisiológico transoperatório que permitirá também avaliar o grau de ablação de forma seletiva.

 

II.G – Códigos de Procedimentos de Nervos Periféricos

CONCEITOS PRELIMINARES:

  1. Plexo Braquial: estrutura nervosa composta por raízes cervicais (C5-T1), estendendo-se até seus cordões em sua porção infraclavicular.
  2. Neuroma: tumor de nervo periférico de origem primária, metastático ou após trauma do nervo.
  3. Síndrome compressiva de nervo periférico: sintomatologia relacionada ao território inervado por um nervo que se encontra comprimido por estruturas fibrosas, musculares, ósseas de forma isolada ou em conjunto.
  4. Neurólise intraneural ou intrafascicular: isolamento anatômico com liberação de fibras intrafascicular/intraneural envolvidos por debris e tecidos fibrosos e/ou inflamatórios. Quando realizado com microscopia, utiliza-se o termo microneurólise.
  5. Síndrome do desfiladeiro torácico: sintomatologia relacionada à compressão neurovascular das estruturas envolvidas entre a primeira costela e a clavícula devido à costela cervical ou devido estruturas locais como os músculos escaleno e peitoral.
  6. Tenólise: liberação física ou química de tendões envolvidos em uma compressão nervosa.
  7. Sinovectomia: liberação cirúrgica da cápsula sinovial envolvida em uma compressão nervosa.

DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS MAIS UTILIZADOS:

  1. Biópsia de músculo (03.11.01-2): Retirada de fragmentos de tecido muscular, tumoral ou inflamatório, para exame anatomopatológico.

  1. Biópsia de nervo (3.14.03.01-8): Retirada de fragmentos de tecido nervoso periférico, tumoral ou inflamatório, para exame anatomopatológico.

  1. Costela cervical – tratamento cirúrgico (07.15.07-5): Durante a exploração cirúrgica é identificado e isolado o processo transverso de C7, bem como costela ou bandas fibróticas calcificadas ou não que se estendem deste processo, realizando-se a exérese da estrutura relacionada que contribua para a compressão dinâmica dentre estas.

  1. Curativo especial sob anestesia – por unidade topográfica – UT (3.01.01.23-9): Já descrito em outros capítulos.

  1. Dissecção muscular (3.07.30.05-8): Toda estrutura nervosa tem íntima relação com algum músculo e para acessá-lo faz-se necessário a dissecção e por vezes sua mobilização.

 

  1. Enxerto interfascicular de nervo vascularizado (3.14.03.07-7): Sob microscopia deve-se dissecar os fascículos, identificando a extensão da lesão, e uma vez retirando este segmento lesado, faz-se a reconstrução com cabos de enxertos, unindo um fascículo a outro.

  1. Enxerto parcial infratemporal do nervo facial – do gânglio geniculado ao meato acústico interno (3.04.04.03-7): O nervo facial tem sua porção extracraniana marcada pela divisão em alguns ramos que participam na mimica da face. A lesão de um desses ramos pode ocorrer. Outra situação, pode ser feito a neurorrafia termino lateral – nervo facial – enxerto – nervo facial.

 

  1. Enxerto total do nervo facial infratemporal (3.04.04.04-5): O nervo facial pode sofrer lesão completa. Neste caso a união dos cotos remanescentes pode ser feita através de cabos de enxerto.

  1. Excisão de tumores dos nervos periféricos com enxerto interfascicular (3.14.03.10-7): Dissecção intraneural (interfascicular) separando o tecido tumoral do tecido nervoso sadio.

  1. Exploração cirúrgica de nervo – Neurólise externa (3.14.03.12-3): Envolve a manobra cirúrgica de isolar anatomicamente um nervo alvo ou parte dele, descolando-o de todo tecido adjacente, com finalidade de biópsia, enxerto, transposição, ressecção ou liberação.

 

  1. Exploração e descompressão total do nervo facial (3.04.04.05-3): O nervo facial tem percurso intra-ósseo (osso temporal). Por vezes, é necessário a dissecção da porção intra-óssea do nervo facial como no caso da paralisia de Bell ou no caso de neurorrafia direta do nervo facial (casos de lesão intracraniana) com parte do nervo hipoglosso.

  1. Lesão de nervo associada a lesão óssea (3.14.03.15-8): Por vezes há fratura da clavícula, ou de ossos que compõem a articulação do ombro ou da escápula, o que necessita dissecção das estruturas nervosas próximas ao osso fraturado. Essa dissecação é mais laboriosa e exige muito mais tempo pela fibrose que tais fraturas produzem.

  1. Microcirurgia do plexo braquial com exploração e neurólise (3.14.03.18-2): Nesta patologia, o plexo braquial é fruto de uma compressão, que pode ser de qualquer sorte: óssea, vascular, osteo-tendínea, fibrótica. Sob microscopia, é feito a identificação do plexo braquial e separação deste das demais estruturas.

  1. Microcirurgia do plexo braquial com exploração, Neurólise e enxertos interfasciculares para reparo das lesões (3.14.03.17-4): Durante a cirurgia do plexo braquial, por vezes esta estrutura é dissecada dos tecidos circunvizinhos – músculos, vasos, tendões (neurólise) e uma vez identificado a inviabilidade desse tecido, é retirada a porção fibrosada e então substitui-se por cabos de enxertos.

  1. Microneurólise intraneural ou interfascicular de um nervo (3.14.03.20-4): Realizado a retirada, sob microscopia, de tecido conjuntivo reacional ao redor dos fascículos, identificando e separando os fascículos do nervo que pode ser utilizado na anastomose ou sua simples liberação.

  1. Microneurorrafia múltipla (3.14.03.26-3): Em alguns procedimentos, faz-se importante a neurorrafia de fascículos com nervos receptores (neurotransferência) que geralmente envolvem pelo menos dois nervos. Desta forma, este código deverá ser multiplicado x2.

  1. Microneurorrafia única (3.14.03.27-1): Neurorrafia de um nervo executada sob magnificação de microscopia.

  1. Miorrafias (3.07.30.11-2): Síntese de tecido muscular que foi seccionado, ou pelo ato cirúrgico como parte do acesso ao nervo periférico alvo, ou por lesões traumáticas neuromusculares como parte do tratamento.

  1. Monitorização neurofisiológica intra-operatória (02.02.04-0): As lesões de nervo periférico podem assumir um comportamento dinâmico. Para evitar que lesão adicional ou ainda, para evitar um procedimento excessivo/iatrogênico, o estudo eletrofisiológico transoperatório (continuo ou sob demanda) faz-se mandatório.

  1. Neurólise das neuropatias compressivas (3.14.03.28-0): Refere-se a descompressão ou lise da parte nervosa envolvida na compressão com sua subsequente liberação.

  1. Paralisia facial – reanimação com neurotização (3.02.10.05-4): Pacientes com lesão proximal do nervo facial, podem ter a recuperação deste nervo mediante a neurorrafia do nervo facial com parte ou com a totalidade de um nervo doador.

  1. Ressecção de neuroma (3.14.03.31-0): Para a neurorrafia de uma estrutura nervosa, faz-se imperioso o preparo dos cotos em casos de ruptura dessa estrutura. Tal preparo implica em, sob microscopia em grande aumento, dissecar-se os fascículos macroscopicamente saudáveis imediatamente após o neuroma, e somente após a identificação desses fascículos, pode-se fazer a extirpação do neuroma traumático.

  1. Sinovectomia endoscópica (07.36.01-3): Alguns neurocirurgiões optam pela técnica endoscópica para as cirurgias nervosas descompressivas. Essa técnica tem como proposta menor trauma cirúrgica mantendo a eficácia do tratamento.

  1. Tenólise túnel osteofibroso (07.31.09-7): Em algumas síndromes compressivas, os nervos passam por tuneis osteofibrosos. Nessa situação, há a abertura da arcada de Struthers, fáscia de Osborne (túnel cubital), Arcada de Froese (supinador), aponeurose do músculo fibular longo (túnel fibular), retináculo do flexores (túneis do tarso).

  1. Transposição de nervo (3.14.03.35-2): Trata-se da mobilização de um nervo do seu leito para um novo leito, seja ele íntegro ou para ser doador de fascículos a outro nervo distal aos cordões do plexo braquial.

  1. Tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico (3.14.05.03-7): Consiste em separar a estrutura nervosa (tronco inferior do plexo braquial) da causa compressiva, fazendo a miotomia ou exérese parcial do músculo escaleno (escalenectomia).

  1. Tratamento Microcirúrgico das Neuropatias Compressivas – tumor, inflamatório, etc (3.14.03.36-0): Com auxílio de magnificação (microscopia) é realizado descompressão do tecido neural circunjacente a lesão.

  1. Túnel do carpo – descompressão (07.37.07-9): O túnel do carpo é um túnel fibro-ósseo delimitado pelos ossos do carpo e pelo retináculo dos flexores. Os componentes ósseos do túnel do carpo formam um verdadeiro arco proximalmente pelos ossos pisiforme e tubérculo do escafóide e distalmente pelos ossos hamato e tubérculo do trapézio. Desta forma, a liberação do nervo mediano nesta síndrome compressiva envolve a liberação também deste túnel fibro-ósseo adjacente ao nervo.