II.E – Códigos de Procedimentos da Neurocirurgia Endovascular

CONCEITOS PRELIMINARES:

  1. Angiografia: procedimento diagnóstico invasivo realizado com estudo contrastado estático do lúmen intravascular Intra e/ou extracraniano. A ponta do cateter é levada até o vaso a ser examinado. A partir deste estudo, são revelados filmes (angiogramas) com as imagens mais representativas do exame diagnóstico, ou do procedimento endovascular para controle e registro transoperatório/pós-operatório.
  2. Angioplastia: procedimento com finalidade de tratamento do estreitamento do lúmen intravascular intra e/ou extracraniano. Realizado através de um balão endovascular.
  3. Cateterismo, não-seletivo, seletivo e superseletivo: procedimento com finalidade diagnóstica e/ou terapêutica, onde são utilizados cateteres ou microcateteres para cateterizar de forma não seletiva os troncos supra-aórticos (artérias carótidas comuns e subclávias), de forma seletiva (artérias carótidas comuns, interna e externa) e super-seletiva (ramos primários e secundários das artérias carótidas interna e externa).
  4. Embolectomia: também conhecido como trombectomia, trata-se de um procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a remoção mecânica do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de dispositivos endovasculares.
  5. Embolização: procedimento onde se faz a oclusão intravascular de vasos e/ou de aneurismas saculares através de utilização de materiais endovasculares específicos (molas, ônix, cola, partículas, etc.).
  6. Estudo cineangiográfico: procedimento diagnóstico invasivo realizado através do estudo contrastado dinâmico do lúmen intravascular Intra e/ou extracraniano. A partir deste estudo, são gravados filmes em CDs para posterior estudo dinâmico dos vasos.
  7. Fístula Artériovenosa (FAV): é uma comunicação anômala entre uma artéria e veia, sem a intermediação deste fluxo pela rede de capilares. O risco de sangramento está associado ao fluxo sanguíneo anômalo de um sistema de alta pressão (artéria) para um sistema de baixa pressão (veia), e por isso a necessidade de oclusão desta comunicação. Lembrando ainda, que toda FAV é também uma MAV.
  8. Malformação Artériovenosa (MAV): é uma coleção anômala de vasos sanguíneos na qual o sangue arterial flui diretamente para as veias de drenagem sem os leitos capilares interpostos, através de um enovelado de vasos com anastomoses bizarras (nidus). Não há parênquima cerebral contido no dentro do nidus.
  9. Trombólise: procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a dissolução química do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de substâncias trombolíticas (ex, Ateplase).

DESCRIÇÃO DOS PROCEDIMENTOS MAIS UTILIZADOS:

  1. Aneurismas rotos ou trombosados – outros (3.09.10.02-1): código referente ao tratamento emergencial de aneurisma roto ou trombosado por qualquer método (Endovascular ou cirurgia aberta). Observando que o aneurisma pode estar isolado ou em associação com outras malformações vasculares, como MAVs e FAVs.

 

  1. Angiografia por cateterismo não seletivo de grande vaso (4.08.12.03-0): estudo hemodinâmico realizado na aorta em seus segmentos abdominal ou torácico para a subida do cateter de angiografia de forma segura ao realizar o contorno do cajado aórtico. É uma das primeiras etapas no estudo hemodinâmico intracraniano.

 

  1. Angiografia por cateterismo seletivo de ramo primário por vaso (4.08.12.04-9): estudo hemodinâmico das artérias carótidas comuns e artérias vertebrais (total de 4 vasos).

 

  1. Angiografia por cateterismo super-seletivo de ramo secundário ou distal por vaso (4.08.12.05-7): estudo hemodinâmico de ramos secundários da carótida interna (ramos da artéria cerebral média, anterior, ou circulação posterior) ou carótida externa realizados através de microcateter para o estudo da microcirculação dos vasos pre ou pos lesão vascular (MAV, FAV, aneurismas, trombos, etc).

 

  1. Angiografia por punção (4.08.12.02-2): código referente ao puncionamento da artéria femoral, carótida ou radial para iniciar os estudos hemodinâmicos necessários.

 

  1. Angiografia pós-operatória de controle (4.08.12.07-3): angiografia final para controle do tratamento Endovascular realizado, utilizado para comparar com exame inicial da doença cerebrovascular. Trata-se de uma importante etapa para avaliar se o tratamento foi completo ou parcial.
  2. Angiografia transoperatória de posicionamento (4.08.12.06-5): angiografia de controle realizado no trans-operatório para verificar o posicionamento do material endovascular, como guias, microguias, cateteres, microcateteres, filtro vascular, mola, cola, balão, stents, etc.

 

  1. Angioplastia de ramo intracraniano (4.08.13.06-1): procedimento realizado para o tratamento da estenose ou vasoespasmo intracraniano.

 

  1. Angioplastia de tronco supra-aortico (4.08.13.07-0): código referente ao tratamento do estreitamento crítico do lúmen intravascular com comprometimento da circulação a montante. Normalmente realizado através de balão endovascular e indicado para tratamento de estenose de carótida associado ou não a stent, ou ainda indicado no tratamento do vasoespasmo.

 

  1. Cateterismo e estudo cineangiográfico da aorta e/ou seus ramos (3.09.11.09-5): estudo hemodinâmico necessário para identificação do tipo de tronco aórtico do paciente com finalidade de refinar a cateterização dos óstios dos ramos da aorta (subclávias, carótidas comuns) minimizando os traumas com cateter contra parede arterial e os riscos de deslocamentos de trombos oriundos de placas ateromatosas destes ramos. Um road map pode ser adquirido através deste estudo para um cateterismo seguro dos ramos da aorta.

 

  1. Colocação de stent em ramo intracraniano – por vaso (4.08.13.19-3): código referente ao tratamento Endovascular estenose intracraniana, valorizado por cada vaso colocado stent.

 

  1. Colocação de stent em tronco supra-aortico (4.08.13.20-7): código referente à colocação de stent arterial da carótida para correção da estenose de carótida.

 

  1. Curativo especial sob anestesia – por unidade topográfica (3.01.01.23-9): curativo realizado após 30-40 minutos da retirada do introdutor na artéria femoral sob compressão local.

 

  1. Embolectomia ou trombolectomia arterial (3.09.10.08-0): procedimento para o tratamento do AVC isquêmico onde se faz a remoção mecânica do trombo ocluindo o lúmen intravascular arterial através de dispositivos endovasculares, como por ex, stents e aspiração.

 

  1. Embolização de aneurisma cerebral por ocluso sacular – por vaso (4.08.13.54-1): código referente ao tratamento endovascular de aneurismas saculares intracranianos, valorizado para cada vaso cateterizado no tratamento do aneurisma cerebral.

 

  1. Embolização de fístula arterio-venosa não especificada (4.08.13.71-1): código referente ao tratamento endovascular de angioma de face através de embolização de ramos secundários dos ramos principais da artéria carótida externa.

 

  1. Embolização de fstula AV em cabeça, pescoo ou coluna -por vaso (4.08.13.57-6): tratamento endovascular de FAVs de circulação cervical (carótidas e vertebrais), caródida extra e intracranianas. Valorizado por cada vaso alimentadora da FAVs (Feed) embolizado no tratamento. Este tratamento pode ocorrer em uma ou mais etapas dependendo da complexidade da FAV. Lembrando ainda que toda FAV é também uma MAVs.

 

  1. Embolização de malformação arteriovenosa cerebral ou medular – por vaso (4.08.13.56-8): tratamento Endovascular de MAVs e FAVs intracranianos ou medulares, valorizado por cada vaso embolizado (feeds). Este tratamento pode ocorrer em uma ou mais etapas dependendo da complexidade da MAV ou FAV. Lembrando ainda que MAVs contém normalmente associadas outras patologias vasculares, como FAVs e aneurismas, que são da mesma forma tratados.

 

  1. Embolização de tumor de cabea e pescoço (4.08.13.78-9): código referente à embolização de vasos nutridores da lesão tumoral da cabeça e pescoço com o objetivo de diminuir o sangramento transoperatório na ressecção de tumores cabeça/pescoço e intracranianos, como meningeomas, tumor de glomus, dentre outros. Realizado normalmente até uma semana antes do procedimento.

 

  1. Embolização de tumor ósseo ou de partes moles (4.08.13.80-0): código referente ao tratamento de tumores ósseos do crânio ou coluna, como cisto ósseo aneurismático, hemangiomas, etc.

 

  1. Embolização para tratamento de epistaxe (4.08.13.58-4): procedimento onde há cateterização do tronco aórtico ao cateterismo super-seletivo de vasos da nasofaringe (ramos da artéria carótida externa), com objetivo de embolizar vasos sangrantes não controlado por métodos otorrinológicos tradicionais.

 

  1. Radioscopia para acompanhamento de procedimento cirúrgico (4.08.11.02-6): código referente ao uso da radioscopia/fluoroscopia da hemodinâmica. Valorizado por hora de cirurgia. Este código também é utilizado em outras subáreas da neurocirurgia.

 

  1. Retira percutânea de corpos estranhos vasculares (3.09.12.21-0): procedimento realizado para recuperação de material Endovascular implantado, como soltura inadvertida do material, molas que escaparam do colo do aneurisma, stents de trombectomia, etc.

 

  1. Teste de oclusão de arteria carótida ou vertebral (4.08.10.02-0): teste realizado rotineiramente para avaliar a patência de anastomoses entre a circulação direita/esquerda e/ou circulação anterior/posterior.

 

  1. Trombólise medicamentosa em troncos supra-aortico e intracranianos (4.08.14.04-1): tratamento medicamentoso IV para o AVCi objetivando a dissolução química do trombo ocluindo o lúmen de vasos intracranianos.

 

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