II.C – Códigos de Procedimentos Neurocirúrgicos Principais

  1. Autotransplante de outros retalhos, isolados entre si, e associados mediante um único pedículo vascular comuns aos retalhos (3.07.05.06-1): código referente ao ato de captar o retalho vascular para anastomose vascular intra/extracraniana, como nas cirurgias de by-pass.

 

  1. Correção cirúrgica de depressão (afundamento) da região frontal (3.02.09.05-6): procedimento realizado na cirurgia de fratura de crânio para correção de afundamento de fragmentos, podendo estar ou não associado ao tratamento de outras patologias comuns no trauma cranioencefálico.

 

  1. Cranioplastia (3.02.15.01-3): Tratamento cirúrgico da falha óssea de crânio decorrente de pós-operatório de: craniectomia descompressiva; retirada de fragmentos de fratura ou no acesso cirúrgico; lesões osteolíticas inflamatórias/infecciosas e/ou neoplásicas. O preenchimento da falha óssea pode ser realizado com cimento ósseo (acrílico), prótese prototipada e/ou ainda o próprio osso armazenado em abdome (quando viável) ou banco de ossos (quando disponível). Há reconstrução dural com retalho da gálea aponeurótica e reconstrução da anatomia temporal com rotação do músculo temporal.

 

  1. Craniotomia descompressiva (3.02.15.02-1): além de ser utilizado nas cirurgias de trauma craniano para descompressão encefálica e alívio da HIC, este código também pode ser agregado nas cirurgias da transição crânio-cervical onde uma craniotomia/craniectomia suboccipital é realizado como parte do acesso da fossa posterior, ou forame magno, ou como parte do tratamento das malformações da transição crânio-cervical (Arnold-Chiari).

 

  1. Craniotomia para remoção de corpo estranho (3.14.01.04-0): Cirurgia realizada para retirada de material de síntese infectado e/ou danificado (cranioplastia, botões de crânio, etc). Pode ser ainda utilizado para retirada de materiais que perfuraram o crânio (projetil, arma branca, fragmentos vidros, etc). Este procedimento pode entrar como complementar dos outros códigos de trauma descritos neste capítulo, caso haja necessidade de retirada de corpo estranho também nas outras cirurgias.

 

  1. Craniotomia para tumores ósseos (3.02.15.03-0): craniotomia realizado para ressecção de tumores ósseos primários da calota craniana, assim como de lesões metastáticas, lesões intracranianas que envolvem o osso craniano por contiguidade (ex, ressecção de meningeomas Simpson 0) ou lesões inflamatórias (histiocitose, etc).

 

  1. Derivação lombar externa (3.07.15.08-3): shunt cirúrgico realizado entre o espaço intrarraquidiano e o meio externo (bolsa coletora) para drenagem liquórica com finalidade diagnóstica, terapêutica ou como parte de cirurgias de crânio para melhorar a exposição cisternal no acesso cirúrgico.

  1. Descompressão da órbita ou nervo óptico (3.03.02.02-1): procedimento realizado na cirurgia de trauma de crânio ou de tumor de órbita, que necessite descompressão da órbita, a qual se apresenta com pressão intraorbitária elevada levando ao risco iminente de isquemia do nervo óptico e demais estruturas intraorbitárias. Também pode ser usado como um código referente ao ato cirúrgico da região selar e adjacências, por via aberta ou endoscópica, onde além da ressecção tumoral, também há a descompressão cirúrgica do nervo e/ou quiasma óptico através da dissecção da interface tumor/nervo.

 

  1. Descompressão vascular de nervos cranianos (3.14.04.01-4): cirurgia referente à descompressão do contato neurovascular de nervos cranianos, como por exemplo nas cirurgias do Trigêmeo e nervo facial, dentre outras.

 

  1. Exploração e descompressão total do nervo facial – transmastóideo, translabiríntico, fossa média (3.04.04.05-3): código referente ao acesso cirúrgico que se faz para exploração, descompressão e isolamento do nervo facial na sua porção extracraniana no acesso cirúrgico do tumor de glomus jugular. Este código ainda pode ser usado como código referente a um dos atos cirúrgicos de tumores de ângulo ponto-cerebelar (APC), onde se realiza a exploração intracraniana cirúrgica da interface tumor e nervo facial, para sua descompressão e ressecção do tumor aderido ao nervo.

 

  1. Fratura de órbita – redução cirúrgica (3.03.02.06-4): procedimento realizado na cirurgia de fratura do crânio com traço de fratura envolvendo a cavidade orbital demandando sua redução e/ou correção da deformidade.

 

  1. Glomus jugular – Ressecção (3.04.03.06-5): código referente ao ato principal da ressecção de tumor de glomus jugular com localização intra/extracraniana, utilizando a magnificação e técnica por microscopia. A drilagem transmatoidea/translabirintica do osso temporal faz parte do acesso para exploração e isolamento do nervo facial em seu trajeto extracraniano/intra-ósseo, objetivando assim a exposição do tumor do glomus jugular.

 

  1. Implante de cateter intracraniano (3.14.01.08-2): refere-se ao implante de cateter intracraniano de qualquer natureza, como monitorização da pressão intracraniana (PIC), derivações ventriculares (DVE, DVP, DVA, DVPL), microdiálise cerebral ou ainda nos procedimentos neurofuncionais, como a neuralgia do trigêmeo, onde se utiliza um cateter de Fogarty.

  1. Ligadura de carótidas ou ramos (3.09.06.21-0): procedimento realizado nas cirurgias abertas de carótidas, quando há ligadura temporária ou definitiva de uma das carótidas e/ou seus ramos. Ainda pode ser utilizada como tratamento de lesões vasculares intracranianas (aneurismas gigantes, MAVs) inoperáveis por abordagem direta.

 

  1. Microcirurgia para tumores intracranianos (3.14.01.15-5): código utilizado para realização do tempo principal nas cirurgias de tumores intracranianos auxiliado com magnificação do microscópio. Inclui os tumores de hipófise/selares, intraparenquimatoso e demais regiões intracranianas, inclusive tumores da calota craniana invadindo espaço intracraniano com extensão para as estruturas adjacentes.

 

  1. Microcirurgia para tumores orbitários (3.03.02.09-9): cirurgia com magnificação e técnica microscópica para ressecção de tumores intra-orbitários intraconal/extraconal. Além da ressecção tumoral, esta cirurgia também objetiva a descompressão do nervo óptico ou da órbita, que se encontra com sua pressão intra-orbital elevada. A ressecção osso temporal faz parte do acesso, e o fechamento incluir reconstrução da órbita e craniofacial com apoio da musculatura temporal.

 

  1. Microcirurgia por via Transesfenoidal (3.14.01.16-3): Código referente aos tumores intracranianos localizados especificamente na sela turca com/sem extensões supra-selar/para-selar. Utiliza magnificação e técnica por microscopia (3.14.01.15-5) e/ou endoscopia (3.14.01.03-1).

 

  1. Microcirurgia vascular intracraniana (3.14.01.17-1): código referente ao um dos atos principais nas cirúrgicas vascular intracraniano, onde se faz a microdissecção dos vasos, aneurismas, malformações vasculares para tratamento cirúrgico de patologias cérebro-vasculares.

 

  1. Microneurólise múltipla (3.14.03.22-0): quando utilizada na cirurgia de medula presa da neurocirurgia pediátrica, refere-se à dissecção e desconexão das raízes e/ou cauda equina para liberação da medula.

 

  1. Pontes transcervicais – qualquer tipo (3.09.06.35-0): pontes vasculares entre circulação carotídea e intracraniana com enxerto vascular para anastomose by-pass direto.

 

  1. Preparo de veia autóloga para remendos vasculares (3.09.06.37-7): código referente ao preparo do enxerto vascular para cirurgia de by-pass intracraniano direto.

 

  1. Redirecionamento do fluxo sanguíneo – com anastomose direta, retalho, tubo (3.09.01.09-0): código referente ao redirecionamento do fluxo sanguíneo cerebral por ocasião da cirurgia de anastomose intra/extracraniana.

 

  1. Redução de fratura do seio frontal – acesso coronal (3.02.07.04-5): procedimento realizado na cirurgia de fratura do crânio com traço de fratura envolvendo osso frontal demandando sua redução, correção do afundamento e tratamento do seio frontal para evitar fístula liquórica para cavidade nasal (rinoliquorréia).

 

  1. Ressecção de mucocele frontal (3.14.01.20-1): ressecção de um epitélio patológico das paredes do seio frontal com o objetivo de reestabelecimento dos óstios de drenagem. Realizado através de uma craniotomia frontal.

 

  1. Sistema de derivação ventricular interna com válvula ou revisões (3.14.01.23-6): shunt cirúrgico realizado entre o sistema liquórico ventricular, cisternal intracraniano ou ainda cisternal lombar (ponto proximal) com outro espaço interno extra-raquidiano (ponto distal), como por exemplo pleura, átrio cardíaco, peritônio, etc. Este procedimento é realizado através de interposição de um sistema de cateteres, conectores e válvula entre os pontos proximal e distal. Eventualmente, pode haver a necessitar de revisão uma ou mais partes do sistema.

  1. Terceiro-ventrículostomia (3.14.01.24-4): ato cirúrgico que objetiva promover um shunt liquórico entre o terceiro ventrículo com a cisterna perimesencefálica e adjacências cisternais. Pode ser realizado como ato principal, como nas cirurgias de hidrocefalia, ou ainda como ato complementar em cirurgias de aneurisma cerebrais ou ainda endoscópicas ventriculares de tumores, cistos, septoplastia e hematomas intraventriculares. Quando realizado por endoscopia intracraniana, incluído código associado (3.14.01.03-1).

 

  1. Tratamento cirúrgico da craniossinostose (3.02.15.07-2): tratamento cirúrgico da deformidade craniana de cranioestenose tempo craniano ou craniofacial.

 

  1. Tratamento cirúrgico da fratura do crânio/afundamento (3.02.15.08-0): correção cirúrgica da deformidade craniana decorrente de traumatismo craniano onde houve afundamento de um dos fragmentos fraturados para dentro do crânio.

  1. Tratamento cirúrgico da isquemia cerebral (3.09.06.43-1): Tratamento cirúrgico do infarto no território da artéria cerebral média (ACM) através da craniectomia descompressiva objetivando alívio do edema cerebral hemisférico e hipertensão intracraniana (HIC), evitando assim a herniação cerebral, e consequentemente melhorando a microcirculação na área de penumbra. A descompressão óssea é complementada com duroplastia utilizando gálea como retalho na sua confecção e musculo temporal para oclusão hermética da dura-máter. A calota craniana retirada por ocasião da craniectomia descompressiva poderá ser armazenada na região abdominal, e por isso a necessidade justificada de uma laparotomia associada. Este código ainda pode ser utilizado nas cirurgias de by-pass cerebral por se tratar também de cirurgia de isquemia cerebral.

 

  1. Tratamento cirúrgico da meningoencefalocele (3.14.01.27-9): código referente ao tratamento cirúrgico da malformação craniovertebral, onde o defeito de fechamento do tubo neural leva a herniação do conteúdo intracraniano (encéfalo e/ou meninges) necessitando toda reconstrução craniana e dural com retalho de gálea aponeurótica. Quando há o envolvimento da região cervical alta, o código de Tratamento de disrafismo deve ser incluído (3.07.15.33-4).

 

  1. Tratamento cirúrgico das malformações craniovertebrais (3.07.15.32-6): código referente ao tratamento cirúrgico das malformações envolvendo a transição crânio-cervical, como Arnold-Chiari, disrafismo, medular presa, meningoencefalocele, etc.

 

  1. Tratamento cirúrgico de osteomielite de crânio (3.02.15.09-9): tratamento realizado para ressecção óssea de parte da calota craniana acometido por infecção, associada ou não a retirada de material de fechamento de crânio.

 

  1. Tratamento cirúrgico de síndrome vértebro basilar (3.09.06.44-0): código referente ao by-pass realizado no sistema vértebro-basilar por cirurgia aberta para o tratamento de síndromes cerebrovasculares oclusivas ou aneurisma complexos do sistema vértebro basilar com anastomose entre ramos da artéria carótida externa (ACE) e artéria vertebral (AV). Utilizado enxerto vascular da artéria occipital, radial ou veia safena.

 

  1. Tratamento cirúrgico de tumores cerebrais sem microscopia (3.14.01.28-7): código utilizado para realização do tempo principal nas cirurgias de tumores intracranianos sem a magnificação do microscópio. Inclui os tumores já citados no código 3.14.01.15-5 e os tumores onde há necessidade de biópsia a céu aberto.

 

  1. Tratamento cirúrgico do abscesso encefálico (3.14.01.29-5): drenagem cirúrgica de coleção purulenta localizado dentro do parênquima cerebral, espaço subdural e/ou epidural. Pode ainda fazer parte da cirurgia de tratamento cirúrgico de osteomielite de crânio, quando associado a supuração intracraniana do osso acometido.

 

  1. Tratamento cirúrgico do disrafismo (3.07.15.33-4): código referente ao tratamento dos defeitos de fechamento do tubo neural (disrafismo espinhal), seja ele aberto ou fechado/oculto. Quando este defeito se localizar na região cervical alta ou transição crânio-cervical, o código 3.07.15.32-6 cabe por se tratar de uma malformação craniovertebral. O sucesso desta cirurgia depende do trabalho minucioso de fechamento multicamadas deste defeito, por isso a agregação de vários códigos para o fechamento, como a rotação de vários tipos de retalhos e plástica em Z ou W.

 

  1. Tratamento microcirúrgico das lesões intramedulares – tumor, malformações arteriovenosas, siringomielia, parasitoses (3.07.15.35-0): além das indicações clássicas de tratamentos de lesões medulares, este código é também utilizado em conjunto com outros na cirurgia da medula presa, onde há a liberação da medula presa e consequentemente tratando a siringomielia associada a estes casos.

 

  1. Tumor de Órbita – Exérese (3.03.02.13-7): código referente à ressecção de tumores ósseos primários ou secundários localizados na órbita, onde uma craniotomia se faz necessário para abordagem cirúrgica.

 

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